
Ela foi para o hospital
e
uma pausa bem curta
saiu de lá pró cemitério
e
em casa ficaram os 10 ou 20 gatos
dos vizinhos que ela adoptara
ó mulher, olha-me tantos gatos!!
ó homem, os bichinhos não fazem mal
deix'os-tar
Hoje ainda tenho 2 ou 3 dos vizinhos de cima
que só se alimentam se
na minha casa
entre parênteses; histórias
de gatinhos esfomeados
e personificados, a mãe só come se
estiver lá o filho e olha pra mim - miiau
como quem diz: chama o migas - que é
o filhote que já não é filhote
ponto final
O meu olhar interessado com
risadas que deitavam flores às histórias
observava os gestos do senhor
solitário
e
viúvo da mulher com quem tinha morado 12 anos
e
diabético com pés díabéticos que tinham percorrido
do rato à são bento até a praça da figueira
parágrafo travessão
Em casa se tivesse um podómetro
contava kilómetros de andar de uma sala à outra e depois ao quintal
ver o gato ali e o outra acolá
e foi assim que começou a contar
sempre com um sorriso estampado e mímica de braços
no rosto tão encarquilhado
no metro
até santa apolónia.

Sem comentários:
Enviar um comentário
Poesia-favela, a discussão está aberta. a explicação no meu perfil.
Deixo o desafio de completarem as poesias ou tirarem palavras ou frases. Acrescentar, tirar ou pintar um tijolinho da poesia-favela!