sexta-feira, 20 de novembro de 2009

PossoApanharEsteComboioQueVaiPraVilaFranca


Ela foi para o hospital
e
uma pausa bem curta
saiu de lá pró cemitério
e
em casa ficaram os 10 ou 20 gatos
dos vizinhos que ela adoptara
ó mulher, olha-me tantos gatos!!
ó homem, os bichinhos não fazem mal
deix'os-tar
Hoje ainda tenho 2 ou 3 dos vizinhos de cima
que só se alimentam se
na minha casa
entre parênteses; histórias
de gatinhos esfomeados
e personificados, a mãe só come se
estiver lá o filho e olha pra mim - miiau
como quem diz: chama o migas - que é
o filhote que já não é filhote
ponto final
O meu olhar interessado com
risadas que deitavam flores às histórias
observava os gestos do senhor
solitário
e
viúvo da mulher com quem tinha morado 12 anos
e
diabético com pés díabéticos que tinham percorrido
do rato à são bento até a praça da figueira
parágrafo travessão
Em casa se tivesse um podómetro
contava kilómetros de andar de uma sala à outra e depois ao quintal
ver o gato ali e o outra acolá
e foi assim que começou a contar
sempre com um sorriso estampado e mímica de braços
no rosto tão encarquilhado
no metro
até santa apolónia.

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Plágio (2) e कोलागेम Colagem

Não escrevo para fazer música e
nem pra preencher o branco desta página
linda
eu e o branco este aqui
mostra-me o que eu e eu aqui
não
sei. só que me
entendo sempre desde pequenininha
escrevendo
palavras e agora casas em crescendo
só eu e este branco
vendo o que não tem palavras
mas tem azul de saudades de pés descalços
com pés calçados de botas
sorrindos pelas ruas de madrid e
por outras não-ruas imaginadas
partilhadas, ...e sorrindo descalça desceu a cidade
e a saudade que subsiste vincando a razão
de as matar e não são
só só só
palavras [de Maryana] mas
melodia sentimental de
frevo colorido.