As minhas emoções são hoje palha-de-aço tento puxar um fio e procuro uma frase corrida no aço que me explique o meu eu Separo fio por fio os não-desenroláveis parecem a chave dos outros então volto ao início sem paciência embolo-os todos e procuro o fio para quebrar a maldição de sísifo sem encontrar vejo no espaço invisível entre os fios de emoções a minha razão eu e agora sem desenrolar desenho mentalmente esses espaços brancos. abstraí-los dos fios querendo compreendê-los melhor!
desenhos acabados volto à estrutura de palha-de-aço suportando a razão espaço invisível desenhado em mim.
O Padre Álvaro saia falador da cantina do CSSR, parado ainda e gesticulando uma estória a chuva aumentou, pedi naturalmente boleia até a porta do CS. Amavelmente abriu o seu guarda-chuva chinês e xadrês como o meu cachecol e levou-me, inicialmente preocupado por eu não poder acompanhar o seu passo ligeiro pelos 3 lances de escadas, de onde é? respondi com um sorriso tímido, então eu posso dizer: sou de Almeida, perto da Guarda. Bastou um lugar comum de ligação para nascer a afinidade e abrir a minha matraca; acerca da Guarda quem pode falar é o meu irmão, venha conhecê-lo o Padre Bernardo do Nascimento. Histórias e feitorias notáveis de vida na Beira Alta, Beira Baixa e Capital acabaram na tentativa de evangelização da sempre resistente e protestante anti-liturgia e regras e materializações sagradas. Ele prometeu-me mandar uma surpresa pelos correios electrónico e de casa. Eu pensava e dizia em gestos, envangelize mas é o João Freire, que não acredita em Deus! A desigualdade em idades, crenças, estilos, pronúncias ficava estranhamente marcada por uma sintonia de cores e linguagem - Álvaro e Branca de verde; ela de cachecol xadrês e ele de guarda-chuva igual. Linguagem que sintonizava os olhares, expressões das gerações distantes entre o pensador aventureiro-moderno-mas-cristão e a pensadora pós-qualquer-coisa-e-cristã.
terça-feira, 8 de dezembro de 2009
queria dar a mão a ti e a ti e a ti lá do outro lado da asa da minha viagem e virarmos um pássaro aprediz do primeiro voo de primavera o meu vizinho de ninho tentou caiu e espalhou-se no cimento mas eu dou-te outra vez a mão e tento crescer para saltar ao telhado e preparar o voo do tijolo de primavera até ... dezembro pousar nesta árvore de natal de pássaros artesanatos presos adultos que não podem voar.
ai ai ai à meia noite e um quarto com um quarto de cortes de pele que entram até a minha lembram os meus de outras de outras estações agora um quarto só e finalmente escuro onde entro às 6 e dois quartos so tired so tired so tired sooo sou sóo me deito no centro e deixo-me levar oh oh oh pelo sono mais leve que a seda 2-0 agora tire os pontos dos cortes de outrora uppps com uma guia esquecida tiram-se sóo anos depois na altura foram tratados com folhas de pimenteira; agora sóo as de Hermeto Pascoal despertam-me do sono seda e das mágoas que de pensamentos nylon mutaram em lembranças vicryl.
domingo, 22 de novembro de 2009
primeira vez sinto totalmente a tua falta deixando-me preocupar o acontecimento de algo mau contigo coração esparrama pela estrada do oriente apanha um camelo e quer te buscar fora das redes de comunicação e já estás cá independentemente
Ela foi para o hospital e uma pausa bem curta saiu de lá pró cemitério e em casa ficaram os 10 ou 20 gatos dos vizinhos que ela adoptara ó mulher, olha-me tantos gatos!! ó homem, os bichinhos não fazem mal deix'os-tar Hoje ainda tenho 2 ou 3 dos vizinhos de cima que só se alimentam se na minha casa entre parênteses; histórias de gatinhos esfomeados e personificados, a mãe só come se estiver lá o filho e olha pra mim - miiau como quem diz: chama o migas - que é o filhote que já não é filhote ponto final O meu olhar interessado com risadas que deitavam flores às histórias observava os gestos do senhor solitário e viúvo da mulher com quem tinha morado 12 anos e diabético com pés díabéticos que tinham percorrido do rato à são bento até a praça da figueira parágrafo travessão Em casa se tivesse um podómetro contava kilómetros de andar de uma sala à outra e depois ao quintal ver o gato ali e o outra acolá e foi assim que começou a contar sempre com um sorriso estampado e mímica de braços no rosto tão encarquilhado no metro até santa apolónia.
Não escrevo para fazer música e nem pra preencher o branco desta página linda eu e o branco este aqui mostra-me o que eu e eu aqui não sei. só que me entendo sempre desde pequenininha escrevendo palavras e agora casas em crescendo só eu e este branco vendo o que não tem palavras mas tem azul de saudades de pés descalços com pés calçados de botas sorrindos pelas ruas de madrid e por outras não-ruas imaginadas partilhadas, ...e sorrindo descalça desceu a cidade e a saudade que subsiste vincando a razão de as matar e não são só só só palavras [de Maryana] mas melodia sentimental de frevo colorido.
Não falo de amor
não, falo de nome com cor
cor de beije, mulato,
moreno, preto, azul.
de heróis 8, 9 , 10 ,11,
12, 13, 14, 15, 16, 17, 18,
19, 20, 21, 22, 23, 24,
25, 26, 27, 28, 29, 30, 31,
31, 33, 34, 35, 36, 37, 38, 39,
40, 41, 42, 43, 44, 45, 46,
47, 48, 49, 50, 51, 52, 53,
54, 55, 56, 57, 58, 59, 60,
61 62 63 64 65 66 67
68 69 70 71 72 73 74
75 76 77 78 79 80 81
82 83 84 85 86 87
88 89 90 e tantas outras
idades intermédias
heróis calçados ou sem calça
de bicicleta equilibran-
do tabuleiro aluminado
e cocado 1 2 3, 6 reais
1 2 3 4 5 6, 10 reais ou
em carrete tubolada, rodas
gigantes tecto lonado o
transporte de gringos brasi-
leiros ou estrangeiros na
vila dos pescadores fortes.
Heróis do mar fantasmas
tão presentes nos barcos
balançantes pedintes
de partir ao mar.
Nobre povo vendedor de
frescal assado latão
foguinho palital.
Nação valente de nativos
Lords que adoram
a praia não querem sair
de lá.
Imortal pela tamanha
honestidade, verdade,
sinceridade, abertura,
franqueza, tristeza.
Heroínas artesãs de
linha de palha de coco
abrem as portas dos seus palácios para me receber
e quando? sem tempo sem
hora agora nunca
daqui a alguns meses eu espero
heroínas mãe e filha que
servem à mesa
levantai hoje de novo a bandeja, o badejo,
o prato, o vermelho, o siri, a coca-cola.
Heróis e não o sabem porque
as brumas da memória
dizem que são ladrões ou
prostitutas ou zé niguéns
ou maria pessoas
ouvem risadas sem fim
engolem risadas sem
início.
mas quando
chegam as raízes do forte
todo o corpo ri, todo o
pé samba de alegria pluma
e a bunda rebola de
liberdade única 3, 4, 5, 6,
8, 10, 12, 14, 16, 18, 20,
22, 24, 26, 28, 30, 31,
31, 33, 35, 37, 39,
40, 41, 42, 43, 44, 45, 46,
47, 48, 49, 50, 54, 60,
63, 64, 65, 66, 67,
72, 73, 74, 75,
79, 80, 81, 82, 86,
88, 89, 90, 96, 97, 98 e talvez outros ímpares
heróis que portuguesam
em dialeto e em segredo
no cantinho do banheiro
público o nicho onde
podem ecoar os seus contos
e tantos outros pontos
de alegria pluma de não-
amor de não-dor.
Oh pátria amada salve
salve da pátria só os heróis
da pátria só o Ronaldo.
Tempestades tecidas com a mesma matéria com que se faz o sonho ando pela tijoleira do metro gravilha encravada calçada portuguesa calça da ganga desenhando direcções diferentes ritmadas e nenhuma delas és tu e eu? prefiro a bombazina e sentar-me à porta de uma casa Noutro dia.
Em murmúrio silencioso vejo apenas os teus lábios mexerem d(e)migração insatisfeita e carnudos e negros licença patipapatipa vontatatade de me me-me auxiliar não te é indiferente o cego-cigano que não podes ajudar? agora o lugar vazio outros olhos brancos afundados no relevo azul do rosto em pé agora e sorridente não sei de que memórias de terras distantes prontas a desembarcar na baixa-chiado.
Com elasticidade corporal abro os quadricípites e os rectos internos com as extremidades distais nos orifícios dos bancos-tronco-de-madeira-tropical- -do-Inhotim em espargata páro até o canto do Sabiá pousar em mim e nela, no banco-concha vizinho neste instante de silêncio e paz e o pensamento viaja pela trilha de uma formiga decola errante levado pelo mosquitinho zebra desce listra por listra da palmeira zebra até o culibri despertando o sono dela.
um bocado de frases soltas numa vasilha de plástico amarela de discussão melainous e confissões béatrice misturar com nadismo bem e um pouco de água até fazer uma mistura metade heterogénea e a outra em processo de ligação autêntica pitadelas de fáscies tantas de rugas expressão e cravinho com ou sem canela aquecimento em conforto de cama e pausa de horas sem compromisso só descanso e separar para lembrar em imagens imaginadas de conversas presenciais saboreadas delícia
há cerca de 11 anos iniciei 1livro de poesias autobiográficas. livros de poesia: 1diário de bordo. e outro na forma de cartas a amigos. nunca tive coragem de publicar. neste sítio vou publicar tudo o que escrever a partir da sua criação tentando sempre respeitar o instante presente. sou uma apaixonada pela língua portuguesa, de preferência europeia; estilo coloquial, que chamo de 'poesia favela' - construída como nasce 1favela, espontaneamente, com correcções mais funcionais do que estéticas. sobretudo tem mais intensidade do que rigor da linguagem e não pretende cobrir os defeitos. às vezes transformo a minha memória visual em palavras-imagem. Formação: a medicina entre outras como as artes plásticas, arquitectura (inacabada), literatura. Branca, só 1 pseudónimo de 1 nome sem maior interesse. 1979,Brasil,mas agora Portuguesa por adopção.Finalmente a Branca publica as suas estoritas. Bem Haja por conhecer-me!