domingo, 13 de dezembro de 2009


As minhas emoções são hoje palha-de-aço
tento puxar um fio e
procuro
uma frase corrida no aço
que me explique o meu eu
Separo fio por fio
os não-desenroláveis parecem
a chave dos outros
então volto ao início
sem paciência
embolo-os todos e
procuro
o fio para quebrar a maldição de sísifo
sem encontrar
vejo no espaço invisível entre os fios de emoções
a minha razão
eu
e agora sem desenrolar desenho mentalmente
esses espaços brancos. abstraí-los dos fios
querendo compreendê-los melhor!

desenhos acabados
volto à estrutura
de palha-de-aço suportando
a razão
espaço invisível desenhado em mim.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

PadreÁlvaroDoNascimento


O Padre Álvaro saia falador da cantina do CSSR, parado ainda e gesticulando uma estória a chuva aumentou, pedi naturalmente boleia até a porta do CS. Amavelmente abriu o seu guarda-chuva chinês e xadrês como o meu cachecol e levou-me, inicialmente preocupado por eu não poder acompanhar o seu passo ligeiro pelos 3 lances de escadas, de onde é? respondi com um sorriso tímido, então eu posso dizer: sou de Almeida, perto da Guarda. Bastou um lugar comum de ligação para nascer a afinidade e abrir a minha matraca; acerca da Guarda quem pode falar é o meu irmão, venha conhecê-lo o Padre Bernardo do Nascimento. Histórias e feitorias notáveis de vida na Beira Alta, Beira Baixa e Capital acabaram na tentativa de evangelização da sempre resistente e protestante anti-liturgia e regras e materializações sagradas. Ele prometeu-me mandar uma surpresa pelos correios electrónico e de casa. Eu pensava e dizia em gestos, envangelize mas é o João Freire, que não acredita em Deus! A desigualdade em idades, crenças, estilos, pronúncias ficava estranhamente marcada por uma sintonia de cores e linguagem - Álvaro e Branca de verde; ela de cachecol xadrês e ele de guarda-chuva igual. Linguagem que sintonizava os olhares, expressões das gerações distantes entre o pensador aventureiro-moderno-mas-cristão e a pensadora pós-qualquer-coisa-e-cristã.

terça-feira, 8 de dezembro de 2009


queria dar a mão
a ti e a ti e a ti

do outro lado da asa
da minha viagem
e virarmos um pássaro aprediz do
primeiro voo de primavera
o meu vizinho de ninho tentou caiu e espalhou-se no cimento
mas eu dou-te outra vez a mão e tento
crescer
para saltar ao telhado e preparar o voo
do tijolo de primavera
até ...
dezembro pousar
nesta árvore
de natal
de pássaros
artesanatos presos adultos
que não podem voar.

ai ai ai
à meia noite e um quarto com
um quarto de cortes de pele
que entram até a minha
lembram os meus de outras de outras
estações
agora um quarto só e finalmente escuro
onde entro
às 6 e dois quartos
so tired so tired so tired
sooo sou sóo
me deito no centro e deixo-me levar oh oh oh
pelo sono mais leve que a seda 2-0
agora
tire os pontos
dos cortes de outrora
uppps com uma guia esquecida
tiram-se sóo anos depois
na altura foram tratados com folhas de
pimenteira;
agora sóo as de Hermeto Pascoal
despertam-me do sono seda e das mágoas que
de pensamentos nylon mutaram em
lembranças vicryl.

domingo, 22 de novembro de 2009


primeira vez
sinto totalmente a tua falta
deixando-me preocupar
o acontecimento de algo mau
contigo
coração esparrama pela estrada
do oriente apanha
um camelo e quer te buscar
fora das redes de comunicação
e já estás cá
independentemente

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

PossoApanharEsteComboioQueVaiPraVilaFranca


Ela foi para o hospital
e
uma pausa bem curta
saiu de lá pró cemitério
e
em casa ficaram os 10 ou 20 gatos
dos vizinhos que ela adoptara
ó mulher, olha-me tantos gatos!!
ó homem, os bichinhos não fazem mal
deix'os-tar
Hoje ainda tenho 2 ou 3 dos vizinhos de cima
que só se alimentam se
na minha casa
entre parênteses; histórias
de gatinhos esfomeados
e personificados, a mãe só come se
estiver lá o filho e olha pra mim - miiau
como quem diz: chama o migas - que é
o filhote que já não é filhote
ponto final
O meu olhar interessado com
risadas que deitavam flores às histórias
observava os gestos do senhor
solitário
e
viúvo da mulher com quem tinha morado 12 anos
e
diabético com pés díabéticos que tinham percorrido
do rato à são bento até a praça da figueira
parágrafo travessão
Em casa se tivesse um podómetro
contava kilómetros de andar de uma sala à outra e depois ao quintal
ver o gato ali e o outra acolá
e foi assim que começou a contar
sempre com um sorriso estampado e mímica de braços
no rosto tão encarquilhado
no metro
até santa apolónia.

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Plágio (2) e कोलागेम Colagem

Não escrevo para fazer música e
nem pra preencher o branco desta página
linda
eu e o branco este aqui
mostra-me o que eu e eu aqui
não
sei. só que me
entendo sempre desde pequenininha
escrevendo
palavras e agora casas em crescendo
só eu e este branco
vendo o que não tem palavras
mas tem azul de saudades de pés descalços
com pés calçados de botas
sorrindos pelas ruas de madrid e
por outras não-ruas imaginadas
partilhadas, ...e sorrindo descalça desceu a cidade
e a saudade que subsiste vincando a razão
de as matar e não são
só só só
palavras [de Maryana] mas
melodia sentimental de
frevo colorido.

sábado, 14 de novembro de 2009

Praia do Forte - escrita em Dezembro 2008 lida agora


Não falo de amor
não, falo de nome com cor
cor de beije, mulato,
moreno, preto, azul.

de heróis 8, 9 , 10 ,11,
12, 13, 14, 15, 16, 17, 18,
19, 20, 21, 22, 23, 24,
25, 26, 27, 28, 29, 30, 31,
31, 33, 34, 35, 36, 37, 38, 39,
40, 41, 42, 43, 44, 45, 46,
47, 48, 49, 50, 51, 52, 53,
54, 55, 56, 57, 58, 59, 60,
61 62 63 64 65 66 67
68 69 70 71 72 73 74
75 76 77 78 79 80 81
82 83 84 85 86 87
88 89 90 e tantas outras
idades intermédias
heróis calçados ou sem calça
de bicicleta equilibran-
do tabuleiro aluminado
e cocado 1 2 3, 6 reais
1 2 3 4 5 6, 10 reais ou
em carrete tubolada, rodas
gigantes tecto lonado o
transporte de gringos brasi-
leiros ou estrangeiros na
vila dos pescadores fortes.

Heróis do mar fantasmas
tão presentes nos barcos
balançantes pedintes
de partir ao mar.

Nobre povo vendedor de
frescal assado latão
foguinho palital.

Nação valente de nativos
Lords que adoram
a praia não querem sair
de lá.

Imortal pela tamanha
honestidade, verdade,
sinceridade, abertura,
franqueza, tristeza.

Heroínas artesãs de
linha de palha de coco
abrem as portas dos seus palácios para me receber
e quando? sem tempo sem
hora agora nunca
daqui a alguns meses eu espero
heroínas mãe e filha que
servem à mesa
levantai hoje de novo a bandeja, o badejo,
o prato, o vermelho, o siri, a coca-cola.

Heróis e não o sabem porque
as brumas da memória
dizem que são ladrões ou
prostitutas ou zé niguéns
ou maria pessoas
ouvem risadas sem fim
engolem risadas sem
início.

mas quando
chegam as raízes do forte
todo o corpo ri, todo o
pé samba de alegria pluma
e a bunda rebola de
liberdade única 3, 4, 5, 6,
8, 10, 12, 14, 16, 18, 20,
22, 24, 26, 28, 30, 31,
31, 33, 35, 37, 39,
40, 41, 42, 43, 44, 45, 46,
47, 48, 49, 50, 54, 60,
63, 64, 65, 66, 67,
72, 73, 74, 75,
79, 80, 81, 82, 86,
88, 89, 90, 96, 97, 98 e talvez outros ímpares
heróis que portuguesam
em dialeto e em segredo
no cantinho do banheiro
público o nicho onde
podem ecoar os seus contos
e tantos outros pontos
de alegria pluma de não-
amor de não-dor.

Oh pátria amada salve
salve da pátria só os heróis
da pátria só o Ronaldo.

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Excepção (1)-Metro (1); Escrita em 6-3-2009


Tempestades tecidas com a
mesma matéria com que se
faz o sonho ando pela tijoleira
do metro gravilha encravada
calçada portuguesa
calça da ganga desenhando
direcções diferentes ritmadas
e nenhuma delas és tu e eu?
prefiro a bombazina e sentar-me
à porta de uma casa
Noutro dia.

Excepção - Metro; Escrita em 2-3-2009


Em murmúrio silencioso
vejo apenas os teus lábios
mexerem d(e)migração
insatisfeita e carnudos e
negros licença
patipapatipa vontatatade
de me me-me auxiliar
não te é indiferente o cego-cigano
que não podes ajudar?
agora o lugar vazio
outros olhos brancos afundados no relevo
azul do rosto em pé
agora e sorridente não sei de que
memórias de terras distantes
prontas a desembarcar
na baixa-chiado.

domingo, 8 de novembro de 2009

Memórias de Inhotim


Com elasticidade corporal
abro os quadricípites e os rectos
internos com as extremidades distais nos orifícios dos
bancos-tronco-de-madeira-tropical-
-do-Inhotim em espargata
páro
até o canto
do Sabiá pousar em mim
e nela, no banco-concha vizinho neste
instante de silêncio e paz e o
pensamento viaja pela trilha de uma formiga
decola errante levado pelo mosquitinho zebra
desce listra por listra da palmeira zebra
até o culibri
despertando o sono dela.

Poesia instantânea


um bocado de frases soltas numa vasilha de plástico amarela
de discussão melainous
e confissões béatrice
misturar com nadismo bem
e um pouco de água
até fazer uma mistura metade
heterogénea e a outra
em processo de ligação
autêntica
pitadelas de fáscies tantas
de rugas expressão
e cravinho com ou sem canela
aquecimento em conforto de cama e pausa
de horas sem compromisso
só descanso
e separar para lembrar em imagens imaginadas de conversas
presenciais
saboreadas
delícia

Diário de uma hipomaníaca


Viajo viajo viajo
voo voo vou voar
balon balão balonar
extrava extravagando extraviar
extra-vasação vasando ando o ar ão
do balão voando do chão altão
altão ão zão